quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os bons e os maus motivos ...: Entre cadeiras quebradas e respostas sem vida

Os bons e os maus motivos ...: Entre cadeiras quebradas e respostas sem vida: "Então quer dizer que só por que a gente esconde , a gente não sente ? Na verdade a gente mente . Como quem não quer ir nem quer chega..."

Entre cadeiras quebradas e respostas sem vida




Então quer dizer que só por que a gente esconde , a gente não sente ? Na verdade a gente mente . Como quem não quer ir nem quer chegar mas queria estar lá sim , por qualquer motivo fútil , vão , aquele motivo-razão-circustância que no final é tudo inventado . Inventa por que ? Por que sim , por que criar expectativas pode ser tudo o que se tem naquele momento e a realidade é que na atual situação , ninguém está preocupado com situações que poderão vir posteriormente , o negócio é arriscar e ponto . Sim , mesmo que não faça sentido , quem está preocupado com fazer sentido uma hora dessas , essas horas que estar preso entre o fazer e o acontecer , não significa coisa alguma . Tem gente que procura significado pra vida , tem gente que procura significado pra tudo , respostas , perguntas , responder perguntas sem respostas , buscar significação pra vida . Como se viver fosse só a soma dessa equação toda de perguntas divididas por falsas respostas ou perguntas não respondidas , seja por falta de respostas ou não . A gente gasta mais tempo respondendo perguntas , procurando respostas , e se questionando pelas perguntas que não foram feitas , do que vivendo , por que na atual circunstância , viver não é mais importante . Falsidade , desavença ou qualquer sentimento vão misturado com toda aquela pouca vontade de viver , as perguntas más e as respostas mal resolvidas , o produto final disso tudo meu bem , é você ! Você sim , que se preocupou tanto em fazer certo , dizer o certo e até pensar o certo , e nem se quer percebeu que o tempo passou junto com mentiras contadas em respostas sem perguntas e verdades mal reformuladas.
Cadeiras quebradas , fotos rasgadas , rosto quente sublinhado pela marca da mão que fora deixada a pouco e mesmo que verdades fossem esclarecidas , mentiras não fossem contadas e as respostas fossem realmente respondidas, mesmo assim de nada adiantaria, por que uma hora dessas o carro já estaria a 80 quilômetros por hora , as lágrimas rolando por entre o rosto quente sublinhado pela marca da mão , que uns tempos antes não era marca , era sentimento , e agora não é nada além de dor . Não dor de cabeça que incomoda enquanto você se esforça pra resolver aquela maldita conta de álgebra , mas aquela dor que se mistura na corrente sanguínea , se transforma em batimentos cardíacos e seu corpo todo treme . Você não chora por que suas lágrimas foram todas embora molhando aquela blusa roxa de bolinhas verdes e lacinhos , que você usou em março do ano retrasado na festa em que o seu rosto colado no dele , dançava a música lenta e ridícula que ecoava por todo o salão e você não estava nem aí , só estava preocupada com a boca dele na sua e a mão mansa no seu rosto , rosto agora quente , sublinhado pela marca da mão que nem mansa é , que nem mais está aqui . E por que a gente mente ? por que o que a gente sente foi convertido em vontade de não sentir mais nada , por que não vale a pena ! Por que ainda que as cadeiras fossem consertadas , as fotos coladas , e ainda que as respostas fossem verdades sem mentiras e as perguntas não se transformariam em rosto quente e lágrimas , quando fechasse os olhos a primeira imagem que inundaria sua mente como água ( e não lágrimas ) não seria aquela da blusa roxa e mão mansa , seria a sua imagem sozinha naquele carro , sem lágrimas , sem respostas , sem vida .


Mariana Costa do Carmo